Uma tarde para reunir a família, encontrar os amigos, saborear uma boa comida e celebrar a nossa história! No dia 24 de outubro (sábado), a Sociedade Floresta Aurora te espera para mais um encontro especial, com um delicioso galeto, saladas e massas e muita música boa ao vivo com o Grupo 4P! 🎶💙 📅 Data: 24 de outubro de 2026 (sábado)🕧 Horário: das 12h30 às 15h30📍 Local: Sociedade Floresta AuroraEstrada Afonso Lourenço Mariante, 437 – Belém Velho, Porto Alegre/RS 🍽️ Valor: R$ 65,00 por pessoa 💳 Garanta seu ingresso pelo PIX:fin.florestaaurora@gmail.com Mais do que um almoço, é um momento de encontro, de fortalecer nossos laços e valorizar a história de uma sociedade que há gerações mantém viva a cultura negra em Porto Alegre. 💙 Venha fortalecer a nossa história! FlorestaAurora #GaletoFlorestaAurora #CulturaNegra #PortoAlegre #Grupo4P
Educação, memória e resistência: alunos do Instituto Estadual de Educação Princesa Isabel visitam a Sociedade Floresta Aurora
Em visita realizada no dia 26 de setembro de 2026, estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) conheceram a história da instituição e produziram um vídeo sobre seu legado cultural e sua importância para a memória negra do Rio Grande do Sul. Por Alexandre Xavier (para Sociedade Floresta Aurora) A história ganha novos significados quando é compartilhada entre gerações. Foi com esse espírito que, no dia 26 de setembro de 2026, a Sociedade Beneficente Cultural Floresta Aurora recebeu professores e alunos do Instituto Estadual de Educação Princesa Isabel, escola pública estadual localizada em Cachoeirinha, no Rio Grande do Sul. A visita integrou um projeto pedagógico desenvolvido pelos estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), que produziram um vídeo sobre a história e a importância da Sociedade Floresta Aurora. A atividade, supervisionada pelos professores, faz parte de uma competição entre turmas da instituição de ensino. Representaram a Floresta Aurora no encontro o presidente Luiz Augusto Santiago e Graziela de Souza Pereira Nascimento, do Departamento Beneficente. A Sociedade sentiu-se honrada com a visita e com o interesse demonstrado pela comunidade escolar em conhecer e divulgar sua trajetória. Floresta Aurora: mais de 150 anos de história e resistência Fundada em 31 de dezembro de 1872, em Porto Alegre, a Sociedade Beneficente Cultural Floresta Aurora surgiu em um período marcado pela escravidão e por profundas desigualdades sociais. Sua criação esteve associada à iniciativa de negros alforriados que buscavam promover solidariedade, assistência e dignidade para a comunidade negra. Desde então, a instituição construiu uma trajetória ligada à organização comunitária, à valorização da cultura afro-brasileira e à preservação da memória da população negra no Rio Grande do Sul. A história da Floresta Aurora ultrapassa os limites de sua sede e de seus associados. Ela integra a memória social gaúcha e representa a contribuição de gerações que construíram espaços de convivência, resistência e afirmação da identidade negra. Conhecer essa trajetória é compreender parte fundamental da história do Rio Grande do Sul e do Brasil. Mais informações sobre a instituição e sua história estão disponíveis no site oficial da Sociedade Floresta Aurora. Educação e juventude: protagonistas na preservação da memória A iniciativa dos alunos do Instituto Estadual de Educação Princesa Isabel merece reconhecimento por aproximar a educação da história e da cultura afro-brasileira. Ações como essa devem ser valorizadas e exaltadas, pois contribuem para prestigiar a história negra do Rio Grande do Sul e do Brasil, combater o apagamento histórico e ampliar o reconhecimento das contribuições da população negra para a sociedade. Ao pesquisar uma instituição centenária, conhecer seu espaço e produzir um registro audiovisual, os estudantes transformam o aprendizado em uma experiência concreta, que poderá despertar o interesse de outras pessoas por esse patrimônio histórico. O trabalho também evidencia o papel fundamental da juventude nessa caminhada. Os jovens não são apenas herdeiros dessa história: são protagonistas de sua continuidade. Ao conhecer, registrar e divulgar o passado, contribuem para que a memória alcance novas gerações e permaneça viva na sociedade. A atividade destaca, ainda, a importância dos professores na construção do conhecimento e no desenvolvimento de projetos que estimulam a pesquisa, a criatividade e o compromisso com a diversidade cultural. O vídeo produzido pelos alunos, no contexto da competição escolar, representa uma oportunidade de divulgar a história da Floresta Aurora para além dos muros da instituição, fortalecendo o vínculo entre educação, cultura e comunidade. Reconhecimento aos professores e estudantes A Sociedade Floresta Aurora agradece aos professores responsáveis pela orientação do trabalho: Nosso agradecimento estende-se a todos os estudantes da EJA que participaram da visita e da produção audiovisual, bem como à equipe do Instituto Estadual de Educação Princesa Isabel pelo incentivo à realização do projeto. A iniciativa reforça a importância da parceria entre instituições de ensino e organizações históricas na construção de uma sociedade que reconheça, respeite e valorize sua diversidade. Portas abertas para conhecer nossa história A Sociedade Beneficente Cultural Floresta Aurora sente-se honrada em participar de iniciativas que promovem a educação, a cultura e a preservação da memória negra. Receber os alunos e professores do Instituto Estadual de Educação Princesa Isabel foi uma oportunidade de compartilhar nossa trajetória e contribuir para a formação de novas gerações. As portas da Sociedade Floresta Aurora estão abertas a todos que desejarem conhecer mais sobre nosso passado, compreender nosso presente e participar da construção de nosso futuro. Preservar essa história é reconhecer as lutas e conquistas daqueles que vieram antes de nós e assumir a responsabilidade de transmitir seu legado às próximas gerações. Floresta Aurora: uma história de resistência, solidariedade e cultura que continua sendo construída por todos nós. Fontes e referências Nota editorial: as informações específicas sobre a visita realizada em 26 de setembro de 2026, os participantes, os professores responsáveis e a competição entre turmas foram fornecidas pela Sociedade Floresta Aurora. As fotografias e o vídeo do encontro também foram considerados na elaboração desta matéria.
Outubro Rosa: quando a luta contra o câncer de mama também é uma luta pela equidade racial
Mulheres negras enfrentam desigualdades no acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento do câncer de mama; no Rio Grande do Sul, o desafio ganha contornos ainda mais importantes diante das elevadas taxas de mortalidade registradas no Estado Por Alexandre Xavier – (para Sociedade Beneficente Cultural Floresta Aurora). Todos os anos, o mês de outubro transforma o rosa em símbolo de uma das maiores campanhas mundiais de conscientização sobre a saúde das mulheres. O Outubro Rosa chama a atenção para a prevenção, a detecção precoce e o tratamento do câncer de mama. Mas existe uma dimensão dessa campanha que precisa ser cada vez mais debatida: a desigualdade racial na saúde. Para as mulheres negras, falar sobre câncer de mama significa também falar sobre acesso aos serviços de saúde, condições socioeconômicas, diagnóstico em tempo oportuno, qualidade do tratamento e, sobretudo, sobre as consequências de desigualdades históricas que ainda atravessam a sociedade brasileira. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram que as mulheres negras apresentam maior probabilidade de morrer de câncer de mama do que as mulheres brancas. Um estudo coordenado pelo Instituto apontou que mulheres pretas têm 57% mais chance de morrer pela doença do que mulheres brancas, enquanto entre mulheres pardas essa probabilidade é 10% maior. (Serviços e Informações do Brasil) Esse cenário não significa que a raça, isoladamente, determine o desenvolvimento ou o desfecho da doença. A realidade é muito mais complexa. Pesquisadores investigam uma combinação de fatores biológicos, genéticos, ambientais, comportamentais e sociais. E é justamente nessa combinação que a desigualdade racial se torna fundamental para compreender o problema. Um câncer que exige diagnóstico no tempo certo O câncer de mama é atualmente o câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras, quando excluídos os tumores de pele não melanoma. O INCA estima 78.610 novos casos por ano no Brasil no triênio 2026–2028. Em 2024, foram registrados 20.849 óbitos pela doença. (Serviços e Informações do Brasil) A detecção precoce é um dos principais fatores associados a melhores resultados no tratamento. Quando identificado e tratado em tempo oportuno, o câncer de mama pode apresentar bom prognóstico. O problema é que o caminho entre perceber um sinal suspeito e chegar ao diagnóstico e tratamento pode ser desigual. O próprio Ministério da Saúde reconhece, em seu Boletim Epidemiológico sobre mortalidade por câncer de mama segundo raça/cor, que fatores sociais, culturais e econômicos podem limitar o acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento oportuno. Portanto, quando se fala em Outubro Rosa, não basta perguntar se uma mulher conhece a importância da prevenção. É necessário perguntar também: Ela consegue chegar ao serviço de saúde? Consegue realizar os exames necessários? Recebe o resultado em tempo adequado? Consegue chegar a um serviço especializado quando necessário? É acolhida e tratada com dignidade? Essas perguntas são particularmente importantes quando analisamos a realidade da população negra. Mulheres negras e o câncer de mama agressivo Um dos aspectos que mais chama a atenção dos pesquisadores é a ocorrência de formas mais agressivas do câncer de mama entre mulheres negras. O estudo MANTUS — Mulheres Negras e Câncer de Mama Triplo Negativo: Desafios e Soluções para o SUS, coordenado pelo INCA, investiga especificamente o chamado câncer de mama triplo negativo (TNBC). Esse subtipo apresenta características clínicas que podem dificultar o tratamento e tem maior ocorrência proporcional entre mulheres negras em diferentes países. A pesquisa brasileira procura compreender o fenômeno considerando conjuntamente fatores biológicos, genéticos, ambientais, comportamentais e sociais. (Serviços e Informações do Brasil) É importante, entretanto, evitar uma interpretação equivocada: não se trata de afirmar que mulheres negras necessariamente desenvolverão um câncer mais agressivo por causa da cor da pele. O que a ciência demonstra é uma diferença de ocorrência e de desfechos que precisa ser investigada. E, ao investigar essa diferença, é impossível ignorar as desigualdades sociais e o acesso desigual à saúde. O próprio INCA destaca que o menor acesso aos serviços de saúde é uma das hipóteses consideradas na investigação. (Serviços e Informações do Brasil) A desigualdade também aparece nos exames A desigualdade racial não está apenas nos números de mortalidade. Dados utilizados pelo INCA mostram que o acesso à mamografia varia conforme fatores sociais e econômicos. Na Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, a realização do exame entre mulheres de 50 a 69 anos apresentou diferenças segundo escolaridade, renda e cor ou raça. A menor proporção de realização foi observada entre mulheres pardas. (Serviços e Informações do Brasil) Isso demonstra que uma política de prevenção precisa ir além da divulgação de informações. Informação sem acesso não produz equidade. Uma mulher pode saber que precisa procurar atendimento, mas encontrar dificuldades para conseguir consulta, transporte, exame, diagnóstico ou tratamento. Por isso, a prevenção precisa caminhar junto com políticas públicas capazes de garantir que o cuidado efetivamente chegue a quem dele necessita. E o que isso significa para o Rio Grande do Sul? O debate assume uma dimensão especial no Rio Grande do Sul. O Estado apresenta uma das maiores taxas de mortalidade por câncer de mama do Brasil. Segundo dados do INCA, a Região Sul está entre as regiões brasileiras com maiores taxas de mortalidade pela doença, e o Rio Grande do Sul aparece entre as unidades da Federação com as maiores taxas ajustadas de mortalidade. (Serviços e Informações do Brasil) Dados mais recentes da Secretaria Estadual da Saúde mostram que a taxa de mortalidade por câncer de mama no Rio Grande do Sul foi de 25,35 óbitos por 100 mil mulheres em 2025. O relatório estadual também aponta diferenças importantes entre as regiões de saúde do Estado. (Secretaria da Saúde) O Estado vem adotando medidas para ampliar a capacidade de diagnóstico e acompanhamento. Em 2025, a Secretaria Estadual da Saúde informou a habilitação de 19 serviços especializados de referência à saúde da mulher (SERMulher), distribuídos pelas coordenadorias regionais de saúde, com profissionais responsáveis por acompanhar casos suspeitos ou diagnosticados e acelerar o processo entre a suspeita, o diagnóstico e o início do tratamento. (Secretaria da Saúde) Ainda assim, os indicadores mostram que existe espaço
Lanceirinhos Negros: quando a cultura transforma memória em futuro
Acampamento promovido pelo Afro-Sul Odomode reúne crianças, famílias e educadores em uma experiência de cultura, aprendizagem e valorização da história negra no Rio Grande do Sul Em Porto Alegre, preservar a memória também significa criar espaços para que as novas gerações conheçam, vivenciem e recontem a história de seus antepassados. Foi com esse propósito que o Instituto Sociocultural Afro-Sul Odomode realizou, nos dias 12 e 13 de setembro de 2026, mais uma edição do projeto Lanceirinhos Negros, na Sociedade Beneficente Cultural Floresta Aurora. A iniciativa apresenta às crianças e aos jovens uma perspectiva antirracista sobre a participação da população negra na história do Rio Grande do Sul, tendo como uma de suas referências os Lanceiros Negros. ([33º Porto Alegre em Cena][4]) Na manhã do dia 13, depois do despertar, da higiene e do café da manhã, os participantes deram continuidade a uma programação que transformou aprendizado em experiência. Contação de histórias, dança, percussão, composição musical e grafite foram algumas das atividades desenvolvidas pelos grupos. Cada linguagem artística abriu uma possibilidade diferente de expressão. A história foi contada; a música foi experimentada; o corpo tornou-se instrumento de dança; o ritmo ganhou espaço na percussão; e o grafite possibilitou transformar ideias e referências em imagens. Também houve espaço para a infância simplesmente ser infância. Brinquedos infláveis, brincadeiras, a chegada dos pais e momentos de convivência fizeram parte da programação, encerrada com um churrasco de confraternização reunindo crianças, familiares e educadores. Foram dois dias de convivência, cultura e aprendizagem, mas também de construção de memória. Uma história que precisa continuar sendo contada O trabalho desenvolvido pelo Afro-Sul Odomode possui uma trajetória que remonta a 1974, quando jovens negros criaram, em Porto Alegre, o Grupo Afro-Sul de Música e Dança. A partir da pesquisa e valorização de referências culturais africanas e afro-brasileiras, o grupo construiu uma atuação que passou pela música, dança, carnaval, artes e ações socioeducativas voltadas também ao público infantojuvenil. ([Instituto Sociocultural Afro-Sul Odomode][1]) O projeto Lanceirinhos Negros insere-se nessa trajetória. Mais do que falar sobre o passado, a proposta procura criar condições para que crianças e jovens tenham contato com uma história que muitas vezes foi apresentada de maneira incompleta ou distante da perspectiva da população negra. A participação dos Lanceiros Negros na Revolução Farroupilha é um dos temas trabalhados pelo projeto. A proposta é apresentar às novas gerações o protagonismo negro e estimular uma compreensão crítica sobre esse episódio da história do Estado. ([33º Porto Alegre em Cena][4]) Nesse sentido, a cultura deixa de ser apenas entretenimento. Ela passa a funcionar como ferramenta de educação, pertencimento e preservação da memória. Floresta Aurora: um patrimônio vivo A realização do acampamento na Sociedade Beneficente Cultural Floresta Aurora estabelece uma relação simbólica especialmente significativa. Fundada em 1872, dezesseis anos antes da abolição oficial da escravidão no Brasil, a Floresta Aurora nasceu em um período em que a população negra enfrentava profundas restrições sociais e econômicas. Ao longo de mais de 150 anos, a instituição tornou-se espaço de solidariedade, sociabilidade, cultura, organização e preservação da memória negra em Porto Alegre. ([Floresta Aurora][2]) A história da Floresta Aurora demonstra que preservar cultura não significa apenas guardar objetos, documentos ou fotografias. Significa também manter vivos os espaços onde uma comunidade se encontrou, construiu vínculos, celebrou, educou seus filhos, enfrentou dificuldades e transmitiu conhecimentos entre gerações. A própria instituição define como parte de sua missão promover a inclusão social e cultural da população negra e fortalecer sua identidade e coesão comunitária. ([Floresta Aurora][2]) Essa missão encontra, no encontro com o Afro-Sul Odomode e os Lanceirinhos Negros, uma expressão concreta: uma geração ensinando outra a reconhecer suas raízes. Preservar é transmitir A história de um povo não sobrevive apenas nos livros. Ela permanece nas músicas, nas danças, nas histórias contadas pelos mais velhos, nos instrumentos, nas festas, na culinária, nas manifestações religiosas e culturais, nas fotografias, nos espaços de convivência e, principalmente, na capacidade de transmitir esses conhecimentos às crianças. É por isso que iniciativas como o Lanceirinhos Negros possuem importância que ultrapassa os dois dias de um acampamento. Quando uma criança aprende uma história sobre seus antepassados, experimenta um ritmo, dança, desenha, participa de uma roda de conversa ou simplesmente ocupa um espaço de convivência com outras crianças negras, está também construindo uma relação com a própria identidade. E quando uma instituição centenária como a Floresta Aurora abre suas portas para essa experiência, estabelece-se uma ponte entre diferentes gerações da história negra de Porto Alegre. De um lado, uma instituição fundada no século XIX, criada em um contexto de luta, solidariedade e busca por dignidade. De outro, uma iniciativa cultural surgida na década de 1970, dedicada à valorização das referências africanas e afro-brasileiras por meio da arte e da educação. E, no centro dessa relação, estão as crianças. Elas representam não apenas o presente, mas a continuidade dessa história. Memória que aponta para o futuro O encerramento do Acampamento dos Lanceirinhos Negros, com a presença das famílias e o churrasco de confraternização, traduz justamente essa dimensão coletiva. A memória não pertence somente ao passado. Ela é construída no presente e transmitida para o futuro. Preservar a história do povo negro no Rio Grande do Sul significa reconhecer suas contribuições, suas experiências, suas lutas e suas manifestações culturais. Significa também garantir que as próximas gerações tenham acesso a referências capazes de ampliar sua compreensão sobre a sociedade em que vivem. Projetos como o Lanceirinhos Negros e instituições como a Floresta Aurora demonstram que a preservação da memória pode acontecer de maneira viva: cantando, dançando, contando histórias, criando, convivendo e ensinando. Porque uma cultura permanece viva quando consegue atravessar gerações. E cada criança que participa de uma experiência como essa leva consigo um pouco dessa história. São memórias que se transformam em identidade, identidade que se transforma em pertencimento e pertencimento que ajuda a construir o futuro. Por isso, ao final de dois dias de atividades, fica a saudade — mas também fica algo maior: a certeza de que uma história continua sendo contada. Fontes consultadas: Instituto Sociocultural
Memória Negra em Voz Alta: Presidente Luiz Augusto Santiago participa de entrevista sobre a História Negra de Porto Alegre
Presidente da Sociedade Beneficente Cultural Floresta Aurora é entrevistado pela Dra. Letícia Barbosa em podcast baseado em sua pesquisa de doutorado sobre o Movimento Negro em Porto Alegre (1970–1980) Preservar a memória também é uma forma de resistência. É a partir dessa perspectiva que a história da população negra de Porto Alegre vem sendo revisitada e registrada por meio de pesquisas acadêmicas que procuram recuperar personagens, instituições, espaços de sociabilidade e experiências que foram fundamentais para a construção da cidade, mas que durante muito tempo permaneceram à margem das narrativas oficiais. É nesse contexto que o presidente da Sociedade Beneficente e Cultural Floresta Aurora, Luiz Augusto Santiago, participou de uma entrevista conduzida pela Dra. Letícia Barbosa, pesquisadora e doutora pela UniRitter/UCS. A entrevista integra o podcast “Razão Negra em Voz Alta”, iniciativa que tem como base a pesquisa desenvolvida pela pesquisadora em sua tese de doutorado, concluída em 2021, sobre a trajetória da população negra e do Movimento Negro em Porto Alegre. O podcast busca compartilhar e dar visibilidade a memórias, histórias, experiências e vozes que fazem parte dessa trajetória. A conversa integra o universo do “Razão Negra em Voz Alta”, iniciativa dedicada à recuperação de memórias, histórias, experiências e vozes do Movimento Negro na capital gaúcha. Entre os temas abordados estão aspectos da trajetória da população negra no período pós-abolição, a atuação da imprensa negra, as transformações urbanas ocorridas entre o final do século XIX e o início do século XX e os espaços de moradia, sociabilidade, organização e resistência construídos pela população negra. A imprensa negra teve papel fundamental nesse processo. Periódicos produzidos por jornalistas e intelectuais negros funcionaram como importantes instrumentos de comunicação comunitária, denunciando situações de discriminação, reivindicando direitos, valorizando a educação e questionando concepções raciais que procuravam colocar a população negra em posição de inferioridade. Pesquisas sobre a história negra de Porto Alegre mostram que jornais, associações, clubes e outras organizações formavam uma verdadeira rede de sociabilidade e mobilização da comunidade negra. A própria história da Floresta Aurora está inserida nesse cenário. Fundada em 31 de dezembro de 1872, dezesseis anos antes da abolição oficial da escravidão no Brasil, a Sociedade surgiu como uma associação negra de caráter beneficente e mutualista. Estudos acadêmicos apontam que a entidade reunia pessoas negras em atividades de sociabilidade, manifestações culturais, ações políticas e iniciativas de solidariedade, constituindo-se em um importante espaço de organização da comunidade negra porto-alegrense. Ao longo de sua trajetória, o Floresta Aurora ultrapassou a função de espaço recreativo e beneficente. A instituição tornou-se lugar de memória, cultura, identidade, resistência, convivência e organização social. Registros históricos mostram, por exemplo, a presença da Sociedade nas comemorações relacionadas à emancipação da população negra e sua relação com a imprensa negra, incluindo registros publicados pelo jornal O Exemplo, um dos mais importantes periódicos negros de Porto Alegre. Em 1904, o periódico publicou anúncio de uma apresentação realizada na Floresta Aurora durante as comemorações do 28 de Setembro. É justamente essa dimensão histórica que torna a entrevista com Luiz Augusto Santiago especialmente significativa. Ao falar sobre a Floresta Aurora, o atual presidente não está apenas apresentando a história de uma instituição: está contribuindo para registrar a memória de uma comunidade que encontrou, ao longo de mais de 150 anos, diferentes formas de enfrentar o racismo, preservar sua identidade, construir redes de solidariedade e ocupar espaços na sociedade porto-alegrense. A importância desse trabalho de preservação da memória também pode ser percebida em pesquisas acadêmicas recentes. Estudos desenvolvidos no âmbito universitário destacam que os clubes sociais negros foram espaços fundamentais de resistência e sociabilidade, especialmente diante das restrições impostas à população negra no período pós-abolição. A Floresta Aurora aparece nessas pesquisas como um dos principais marcos da história da comunidade negra de Porto Alegre. A entrevista também dialoga com a própria tradição do Grupo Cultural Razão Negra, cuja trajetória integra pesquisas sobre o Movimento Negro de Porto Alegre. Registros contemporâneos apontam a atuação do grupo entre 1976 e 1986, período de intensa mobilização cultural e política da juventude negra porto-alegrense. A recuperação dessas experiências demonstra a importância de preservar não apenas documentos oficiais, mas também as memórias e narrativas daqueles que participaram diretamente da construção do Movimento Negro na cidade. Para a Sociedade Beneficente e Cultural Floresta Aurora, participar desse processo de pesquisa significa reafirmar uma responsabilidade histórica: preservar, contar e transmitir sua própria história para as novas gerações. Uma instituição que atravessou três séculos de história brasileira não pode ser compreendida apenas por suas datas, sedes ou eventos. Sua verdadeira dimensão está nas pessoas que a construíram, nas famílias que nela encontraram acolhimento, nas lutas que ajudou a enfrentar e nas gerações que mantiveram viva sua existência. O registro dessa entrevista, portanto, ganha um significado especial. A voz de Luiz Augusto Santiago se soma a outras vozes que ajudam a construir uma narrativa mais completa sobre a população negra de Porto Alegre. É a memória contada por quem vive, participa e mantém uma instituição histórica em funcionamento — uma memória que agora também passa a integrar uma pesquisa acadêmica. FLORESTA AURORA: MEMÓRIA QUE CONTINUA VIVA A Sociedade Beneficente Cultural Floresta Aurora está diretamente ligada a essa história. Fundada em 1872, ainda durante o período escravista, a entidade atravessou a Abolição, a República, diferentes transformações sociais e urbanas de Porto Alegre e mais de 150 anos de mudanças na sociedade brasileira. Hoje, permanece como espaço de cultura, convivência, identidade, resistência e preservação da memória negra. O próprio site institucional destaca sua trajetória como uma referência histórica na valorização da comunidade afro-brasileira. Ao receber a entrevista de sua atual presidência para integrar uma pesquisa de doutorado, a Floresta Aurora reafirma aquilo que sua história ensina há mais de um século e meio: não existe futuro sem memória, e não existe memória verdadeira sem dar voz a quem construiu essa história. A entrevista de Luiz Augusto Santiago à Dra. Letícia Barbosa representa, assim, mais um registro de uma história que precisa continuar sendo contada — a história da população negra de Porto Alegre, a
Petronilha Gonçalves e Silva: Uma Nova Voz Negra na Academia Rio-Grandense de Letras
A eleição da professora e intelectual gaúcha representa reconhecimento, memória e fortalecimento da representatividade negra na cultura e na produção intelectual do Rio Grande do Sul A eleição, por unanimidade, da professora doutora Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva como nova integrante da Academia Rio-Grandense de Letras, em 27 de agosto de 2026, representa um momento de grande significado para a cultura, a educação e a população negra do Rio Grande do Sul. Mais do que o reconhecimento de uma trajetória acadêmica e intelectual extraordinária, sua chegada à Academia amplia a presença e a representatividade negra em um espaço historicamente marcado por uma participação muito mais restrita da população negra. Gaúcha de Porto Alegre, Petronilha construiu uma trajetória que ultrapassa os limites da universidade. Professora, pesquisadora e intelectual de reconhecido prestígio nacional e internacional, dedicou grande parte de sua vida à educação, às relações étnico-raciais e à valorização da história e da cultura afro-brasileira. Sua atuação no Conselho Nacional de Educação foi especialmente marcante: indicada pelo Movimento Negro, tornou-se a primeira mulher negra a integrar o órgão e foi relatora do parecer que deu origem às Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, relacionadas à implementação da Lei 10.639/2003. A importância desse reconhecimento ganha ainda mais dimensão quando observamos a presença da população negra no próprio Rio Grande do Sul. De acordo com o Censo Demográfico 2022 do IBGE, o Estado possuía 709.837 pessoas autodeclaradas pretas e 1.596.357 autodeclaradas pardas. Juntas, essas populações representam aproximadamente 21,2% dos habitantes do Rio Grande do Sul. Ou seja, mais de dois milhões de gaúchos e gaúchas fazem parte dessa população. Por isso, a chegada de Petronilha à Academia Rio-Grandense de Letras não deve ser compreendida apenas como uma conquista individual. É também uma conquista coletiva. É o reconhecimento de uma intelectual negra que ajudou a transformar a maneira como o Brasil debate educação, identidade, cultura e relações raciais. É, igualmente, a afirmação de que a produção intelectual negra faz parte da história e do presente do Rio Grande do Sul e deve ocupar todos os espaços de conhecimento, cultura e decisão. Sua trajetória também está profundamente ligada à história da organização e da resistência negra no Rio Grande do Sul. A Sociedade Beneficente Cultural Floresta Aurora, fundada em Porto Alegre em 31 de dezembro de 1872, ocupa lugar fundamental nessa história. Ao longo de sua existência, a entidade não foi apenas espaço de convivência e sociabilidade: também se constituiu como lugar de educação, cultura, resistência, construção de identidade e fortalecimento da comunidade negra. Estudos sobre a história da educação negra no Estado registram, inclusive, a realização pelo Floresta Aurora de importantes encontros nacionais sobre a realidade da população negra na educação, nas décadas de 1980, com participação de Petronilha e de outros importantes intelectuais e educadores. Essa relação entre Petronilha e o Floresta Aurora permaneceu viva ao longo das décadas. Em 2022, durante as comemorações dos 150 anos da Sociedade Floresta Aurora, a professora participou do Seminário Internacional Clubes Sociais Negros: vivências, memórias, história e patrimônio. No dia 30 de setembro daquele ano, realizou a conferência de encerramento do evento, justamente com o tema “Floresta Aurora: herança, fortaleza, construção do futuro”. A conferência sintetiza, de certa forma, a própria relação entre sua trajetória intelectual e a história da entidade: memória, resistência, educação e construção de futuro. A ligação também está registrada em outras fontes relacionadas à memória do Floresta Aurora. A professora aparece entre os participantes e colaboradores da obra “Floresta Aurora, 150 anos fazendo história”, publicação que reúne diferentes capítulos sobre a trajetória da entidade, seus protagonistas, sua resistência, sua representação social e seu futuro. Além disso, registros históricos apontam a participação de Petronilha em iniciativas educacionais ligadas à comunidade negra gaúcha e ao próprio Floresta Aurora, reforçando que essa relação não é circunstancial, mas faz parte de uma história construída ao longo de décadas. A Sociedade Beneficente e Cultural Floresta Aurora celebra, portanto, a chegada da professora doutora Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva à Academia Rio-Grandense de Letras como uma conquista que ultrapassa os limites de uma instituição. É uma vitória da educação, da cultura, da memória e da representatividade negra. É também motivo de orgulho para o Rio Grande do Sul e, especialmente, para todas as pessoas que reconhecem na história negra gaúcha uma trajetória de resistência, inteligência, organização e contribuição decisiva para a construção da sociedade. Que sua presença na Academia seja também uma porta aberta para muitas outras vozes, histórias e saberes que ainda precisam ocupar os espaços de destaque da cultura gaúcha. Petronilha chega à Academia levando consigo não apenas sua extraordinária trajetória pessoal, mas também a memória e a voz de muitas gerações de mulheres e homens negros que ajudaram a construir o Rio Grande do Sul. E o Floresta Aurora, que há mais de 150 anos mantém acesa a chama da resistência, da cultura e da valorização da população negra, reconhece nessa conquista uma parte de sua própria história. Petronilha é, também, parte da história do Floresta Aurora — e o Floresta Aurora é parte da história que ajudou a formar a trajetória de Petronilha. FONTES DA PESQUISA
02 de junho de 2026 | Posse da Nova Diretoria Gestão 2026/2028
Momento histórico para a centenária Sociedade Beneficente Cultural Floresta Aurora: a posse da nova diretoria para a Gestão 2026/2028. 🤝 Assumiram a condução da entidade para o próximo biênio: 🔹 Luiz Augusto Santiago – Presidente🔹 Margarida Martimiano – Vice-Presidente Administrativa🔹 Paulo Rogério – Vice-Presidente Financeiro🔹 José Nery – Vice-Presidente de Patrimônio🔹 Luiz Moacir – Vice-Presidente Social 🏛️ Mais do que uma entidade social e cultural, a Floresta Aurora é um patrimônio histórico, político e cultural do Rio Grande do Sul e do Brasil. 🙏 Registramos nosso profundo agradecimento a todos os associados, colaboradores, convidados, amigos e lideranças que prestigiaram este importante ato de posse e renovação institucional. 👏 Agradecemos também aos Conselheiros eleitos, que assumem a relevante missão de contribuir para o fortalecimento da entidade, ajudando a preservar sua história e a construir seu futuro. 🌹 Nosso reconhecimento especial à Deputada Federal Reginete Bispo, cuja presença engrandeceu este momento de celebração e reafirmação dos compromissos com a igualdade racial, a valorização da cultura afro-brasileira e o fortalecimento das organizações da sociedade civil. ⭐ Registramos, ainda, nossa homenagem e gratidão ao Presidente de Honra José Flávio Rocha Silveira, liderança que dedicou parte importante de sua trajetória à construção e ao fortalecimento da Floresta Aurora. ⚠️ Mas essa missão não pertence apenas à diretoria. Ela pertence a todos aqueles que acreditam na importância da cultura, da história e da organização comunitária como instrumentos de transformação social. 🙌 Seja um Associado Colaborador 📧 secretaria@florestaaurora.org 📱 WhatsApp: (51) 9 9013-1970 ✊🏿🖤Preservar a Floresta Aurora é preservar uma parte fundamental da história do Rio Grande do Sul, da cultura afro-brasileira e da própria construção da sociedade brasileira. Floresta Aurora: passado, presente e futuro de resistência, cultura e cidadania.